[A Solidão Branca]
Poesia, música e psicodelia para viajantes, bardos, poetas, menestréis, vagabundos, loucos, solitários.
Quarta-feira, Fevereiro 01, 2012
Dinossauros do Nosso Tempo
Em dois pontos distintos
Um homem e um menino fazem as mesmas perguntas
Buscando por toda vida
A razão deste caminho por onde o rio tece suas curvas
O que impele a dúvida?
Quem pode resolvê-la?
Em cada ser, no princípio de todo medo
Deus:
Aonde está? Do que é feito?
Nega o pontíficie
Segue a vida cumplice de um gene egoísta
Permanece estático
O querer apático onde o mistério tudo justifica
Permanecemos ávidos
Por respostas rápidas
Em livros, sonhos, curandeiros
Eu:
Estou aqui? E por que veio?
Somos crianças nesse mundo, onde o berço se perdeu
Dinossauros do nosso tempo, que o futuro esqueceu
Se chegamos num cometa
Ou num oceano de raios numa já tardia Era
Se somos resto de estrelas
Já escreviam em calendários de pedra
Erguendo enormes catedrais
Sem cordas ou metais
Astrolábios contemplando o infinito
Deus:
Aonde está?
Será um delírio?...
(Renato Menezes)
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Domingo, Janeiro 15, 2012
Malachai - Beijo Fugaz
Guarda nesses olhos minha dúvida. Minha única angústia: retornes pra mim. Desejo não escolhe hora ou lugar, desconfio que até os meios querem esse fim. Mas não, melhor não. Melhor esperar. Amanhã de manhã, vamos nos separar. O ônibus segue e eu não quero olhar. Eu paro trêmulo. E num relance de olhar sagaz, sei que você conspira um beijo fugaz. Algo que a lembrança seja maior que as lágrimas que essa estrada traz. Algo que fique, indique, maior que o tempo e a distância. Algo que por si só se explique. Ou apenas que rime, então diga... criança. Dá os teus sinais. Ah, se eu pudesse perder a decência, mandar pro inferno toda consciência. Pedindo um blecaute no porto, deixando o navio sem destino, de novo. Mas não é verdade: eu quero voltar! Minha maluquice, minha lucidez. Conspiro entre copos um beijo fugaz. Enxergo em teus olhos, a tua nudez.
(Renato Menezes)
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Sábado, Janeiro 14, 2012
A Solidão Branca
A solidão branca destas paredes
Destas lajotas frias
E até dessa chuva que turva a paisagem da janela
Me faz fantasiar com teu vermelho batom
O rosa do teu sexo
E o negro enigmático dos teus pêlos e olhos
Deixa de ser um ato de amor
Quando derramo-me pelas paredes
Quando escorro pelo chão na forma leitosa
Quando sou pálida sombra que cresce da tua falta.
Segunda-feira, Agosto 29, 2011
Proposta

Eu caso com você
Quando você entender que um mais um pode ser um
Quando a idade te ensinar a perder
Quando na verdade aprender a ganhar
Eu caso com você a qualquer momento
Eu caso com você
Quando você estiver pronta para ser amada
Quando estiver pronta para amar
Quando se sentir preparada
Eu caso com você em qualquer lugar
Eu caso com você
Quando quiser sentir-se linda todo dia
Quando cansar de ser princesa
E quiser sentir-se rainha
Eu espero você por toda minha vida.
(Renato Menezes)

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Terça-feira, Maio 31, 2011
Domingo, Maio 15, 2011
Redenção

Remir as minhas chagas todas
espalhadas pelo caminho torto
juntá-las pela noite adentro
pelo frio deserto, pelo sol cinzento
Se os meus olhos abrem-se pra dentro
pulsam santificadas vergonhas e agruras.
Onde mora o meu menor pecado
também reside grotesca criatura
E esses olhares que me fitam em
cabeças cortadas por toda praia?
Essas almas fudidas, de onde vêm?
Esse sangue nas mãos, de onde?
As minhas asas decepadas por um beijo
braços abertos para a brisa do mar
onde não enxergo uma única gota,
um reles peixe,
um barco
não há.
(Renato Menezes)
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Sexta-feira, Abril 22, 2011
Aos que falam de mim pelas costas

Aos que falam de mim pelas minhas costas
Que antes chamei de amigos
Minha sincera decepção.
Pois este coração, aqui já muito calejado
Distingue bem a mágoa
Comeu já muito pó deste chão
Aos que me julgam simplesmente
E não perguntam
Covardemente
E repassam o embuste injusto
Sem a decência de dizer
Na minha frente
E armam-se de palavras
Pra atacar alguém
Que já lhes deu abrigo
Você já parou pra pensar no peso das palavras?...
Nós, que já fomos tão próximos
Hoje me desacredita olhar nos seus olhos
Julgando o modo como eu conduzo a minha vida
Na sua decadente cadeira da hipocrisia
Aos que falam de mim pelas costas
Obrigado pela lembrança
Mas não, obrigado.
(Renato Menežes)
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