Domingo, Novembro 22, 2009

Era um Brasileiro

Ele era um cara simples
sempre munido de simpatia
faria cinquenta e um na semana que vem

Não fomos tão amigos
eu mal o conhecia
mas sentia que não fazia mal pra ninguém

O Marcelo era aquele cara
que ganhava o pão de cada dia
suando na estrada, e estudando também

De origem humilde
ele era um brasileiro
que se fez do trabalho, sem enganar ninguém!

Humilde e boa praça
era um cara engraçado
tinha duas filhas moças
da minha idade

Morreu tão de repente
no meu aniversário
capotou três vezes
e deixou muita saudade

O Marcelo era aquele cara
sempre bem humorado
trabalhava a semana toda em outra cidade

E aos sábados, estudo
das oito da manhã
Até seis horas derradeiras da tarde

Não fomos tão amigos
eu mal o conhecia
mas sabia que ele tinha muita boa vontade

Saía no horário
da fome e do sono
trazendo na bagagem o suor e a idade.

(Renato Menezes)

* Dedicado à memória do colega Marcelo Ferreira Rosa.

Sábado, Novembro 14, 2009

Ainda havia tantos Quilômetros

Olhar que desliza,
derrapa na covardia,
abraço que não se assume:
porquê trocaste de perfume?

Mas a voz, a voz perdura
de serelepe ternura
de sarcasmo na medida
frio, frio na barriga.

Falando em frio, que tal
aquele desejo ancestral,
que brotou na madrugada,
que não esperou alvorada?

Em algum lugar distante,
este amor vive triunfante,
num sonho de outras vidas,
em seis lições aprendidas.

Em sete dias cumpridos
vontade de repeti-los?
Posso distrair meu anseio
mas não mentir pra eu mesmo.

Perdoa se é um tanto injusto
demonstrar este luto
agora que ao menos por fora
escrevemos o final da história.

Para além da carne, da cama
parece que algo me chama.
Um livro fechado e no entanto
ainda há páginas em branco.

Ainda havia tantos quilômetros
pra descobrir o que fomos
e entender nosso caminho
Se erro foi, o meu preferido.

(Renato Menezes)

Quinta-feira, Novembro 05, 2009

Sábado tem lançamento do nosso CD!



Pois é, minha gente. Finalmente o tão aguardado show de lançamento do Malachai. Como sabem, ou a maioria sabe, este blog é uma extensão da banda. Quem não conhece, pode ouví-la aqui.

* No Açaí Biruta a partir de 21h
* + Shows de Clepsidra e Juca Culatra Power Trio
* Ingressos a CINCO reais, compre dois e GANHE o CD.

* Pontos de venda:
- Livraria Newstime (Shopping Pátio/Estação)
- Ná Figueredo (Gentil/Estação)
- Portaria do Biruta (na hora)


Segunda-feira, Outubro 26, 2009

Alvorada



A dor da mudança
a cor da partida

desbotam com os anos e a vida segue em novas palhetas


A gente se apega

a lugares, pessoas

não raro se impede de conhecer o além deste horizonte

E um dia, um momento, nos vemos no espelho

no fundo uma estrada cheia de segredos

A fé pela qual vivemos, os valores que guardamos

na roda da dúvida, é o crespúsculo dos deuses

Vai nascer o sol, nascer o sol

mais uma vez
Vai nascer o sol, e as ilusões

vão escorrer

pelo ralo cinzento do passado

Espero ser alguém melhor que aquele nos retratos.


(Renato Menezes)

Quarta-feira, Outubro 14, 2009

Ruiva,

cabelo cor de cenoura,
sempre solto, livre como fogo
e igualmente perigoso
qual é o nome do teu jogo?

Como uma rainha de Outono,
beleza de conto de fadas,
levando as folhas e o sono,
qual é tua palavra mágica?

E de natural proeza,
traz essa beleza ambígua
vestida és uma princesa,
despida és uma vampira.

Quero me perder nessas dunas,
suntuosas e noturnas curvas,
e mergulhar na areia quente,
de um deserto nada inocente.

(Renato Menezes)

Imagem: Gustav Klimt

Segunda-feira, Setembro 28, 2009

Fios de ouro


Ah moça, esse teu sorriso!
Cabelos dourados, fios de ouro
e o olho negro, misterioso.

Pele de neve, imagino
os róseos medalhões umidecidos
entre meus beijos, descontidos.

Moça do nariz lindo!
Boca vermelha e grande
a provocar arrepios na glande.

Cheia de dengo, de sedução
Como não imaginar a penetração?
Ou desejar uma noite sacana,
com bônus de café na cama.

Cheia de classe, de humor, de prós
Como não te imaginar em meus lençóis?
Creio eu que o vermelho te cai muito bem;

mas a nudez cai bem melhor.

(Renato Menezes)

Gravura:
Frank Licsko

Quarta-feira, Setembro 23, 2009

Não Esqueça

Quantas vezes mais
você pretende pedir
para que eu não me esqueça?

Quantas vezes atrás
você precisou lembrar
o que está na minha cabeça?

A sua voz ao telefone dizendo meu nome
perguntando se é sério ou só brincadeira
Pedindo que eu seja seu homem
Que seja de qualquer maneira

Um dia como se fosse
uma vida inteira
você sempre torna a dizer, não esqueça

Um dia sem regras, sem nome
pra saciar essa fome
eu espero que aconteça

Você sabe que eu sou homem
às vezes acontece que o sangue
desce tudo para a cabeça.

(Renato Menezes)