Sábado, Julho 17, 2010

Sem Título

Tão pouco para viver, tanto para Amar...
E o tempo passa e não nos damos a chance.
Ergue-se o escudo de pedra da razão (e do medo)
e a nossa juventude e a beleza do que vivemos
escorre tristemente pela janela...

O que o relógio dos dias nos dá
é apenas a vida perdendo fôlego.
Mede-se nosso pedaço de chão (feito)
palavras pálidas para um mundo imenso
e nosso olhar de covardia revela.

Fosse eu Jesus ou Hitler
Tivesse eu a oratória do bardo
Liderasse tropas de Córsega a Waterloo
Ainda assim, minhas palavras morreriam como ondas
Na areia onde mora o desejo.

Fosse eu uma máquina
Julgando as nossas escolhas
Computando o nosso destino
Como o fazem todos os homens e mulheres
Que veem passar a fina casca do tempo.

Te ofereço vida, não finalidade...

Pudesse eu remover a crosta de insegurança
Pudesse eu desfazer a dor e a incerteza
Pudesse eu brotar nas trevas o lírio

Só posso oferecer-te meus olhos sinceros
Só posso expôr nestes olhos a alma
Só posso cobrir teu corpo nu de gestos

Longe, sou apenas um homem,
armado de minhas palavras.

(Renato Menezes)

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