Domingo, Maio 15, 2011

Redenção


Remir as minhas chagas todas
espalhadas pelo caminho torto
juntá-las pela noite adentro
pelo frio deserto, pelo sol cinzento

Se os meus olhos abrem-se pra dentro
pulsam santificadas vergonhas e agruras.
Onde mora o meu menor pecado
também reside grotesca criatura

E esses olhares que me fitam em
cabeças cortadas por toda praia?
Essas almas fudidas, de onde vêm?
Esse sangue nas mãos, de onde?

As minhas asas decepadas por um beijo
braços abertos para a brisa do mar
onde não enxergo uma única gota,
um reles peixe,

um barco

não há.


(Renato Menezes)

1 ponderações:

Sandra disse...

Acho que esse é um dos melhores poemas que vc já escreveu.